Os impactos das mudanças climáticas na economia brasileira

As mudanças climáticas irão impactar de diferentes formas todos os países do mundo, pois causarão alterações no regime de chuvas, no uso dos solos, na disponibilidade de alimentos, entre outros. No Brasil, as características da economia fazem com que seja simples traçar um paralelo entre as consequências ambientais, sociais e econômicas do aquecimento global, uma vez que nossa matriz energética é diretamente dependente da disponibilidade de recursos hídricos, que faz parte da nossa economia a produção agropecuária – um setor diretamente ligado à disponibilidade de alimentos para uma população humana em crescimento exponencial.

Praticamente 75% da eletricidade no país é gerada por meio de usinas hidrelétricas e cerca de 45% da matriz energética brasileira é renovável, ou seja, é composta por processos que não envolvem o uso de matéria-prima não renovável, como os combustíveis fósseis. Em países desenvolvidos, a proporção média da matriz energética renovável é de 13%, o que faz do Brasil o país com a matriz energética mais renovável do mundo industrializado. No entanto, em um cenário de alterações climáticas, esses números nos colocam como um dos países mais frágeis, caso não sejam feitas adaptações, impactando o setor industrial e agropecuário – maiores consumidores de energia no Brasil.

O desenvolvimento e a disseminação de tecnologias mais limpas e renováveis para a geração de eletricidade, como a energia solar, a eólica e a maremotriz, poderá garantir o suprimento de eletricidade para a população brasileira e mundial. Atualmente, o investimento necessário para a geração de energia através de usinas hidrelétricas é menor do que o investimento em usinas eólicas ou solares, podendo esse valor chegar a um terço em relação às demais possibilidades. Mas este cenário já está mudando. Em 2012, pela primeira vez, o preço da energia de fonte eólica ficou abaixo do preço da hidroeletricidade em um leilão realizado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), tendência que deve ser mantida através do desenvolvimento tecnológico.

Como exemplo, o setor agropecuário representa mais de 22% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ao mesmo tempo em que se destaca pela vulnerabilidade às consequências do aquecimento global, uma vez que nossas culturas estão localizadas em regiões com temperaturas elevadas – que deverão aumentar ainda mais – reduzindo a produtividade e a renda agrícola e, consequentemente, impactando negativamente no desenvolvimento econômico do país. Estima-se também o aumento dos níveis de pobreza, migrações, alteração da geografia das culturas no país – com migração de regiões tradicionais para novos centros de cultura – e, principalmente, elevação dos preços dos itens básicos da alimentação.

O Brasil é o segundo maior exportador de produtos agrícolas do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, portanto, alterações na produtividade brasileira irão impactar o preço e o suprimento de alimentos ao redor do mundo. Internamente, as alterações climáticas trarão impactos a toda a cadeia relacionada à produção agropecuária, como os produtores agrícolas, os produtores de insumos, os bancos e os consumidores. Estima-se que as perdas atuais no setor agrícola devido às mudanças climáticas já estejam em R$ 5 bilhões por ano, cerca de 1% do PIB Agrícola nacional, e deverá atingir R$ 7,5 bilhões ao ano já em 2020.

Diversos investimentos têm sido realizados com o objetivo de aumentar a produtividade agrícola, visando evitar maiores perdas futuras. Estes estão relacionados ao desenvolvimento de tecnologia – como o plantio direto, em que há menor revolvimento do solo e, consequentemente, menor emissão de gases de efeito estufa e menor uso de equipamentos, reduzindo também a compactação do solo – mas são também relacionados à capacitação de trabalhadores do setor, de forma a aumentar a eficiência produtiva.

Em um cenário majoritariamente de monocultura, como a soja, a cana-de-açúcar, feijão, café entre outros, a retomada do cultivo de produtos tradicionais e a capacitação por meio de técnicas produtivas com baixo impacto relativo ao aumento da produtividade, são exemplos de ações que visam a adaptação às alterações climáticas previstas, buscando o melhor cenário para reduzir os impactos que o aquecimento global poderá causar.

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