Brasil reduz emissões de CO2

Os números oficiais só serão divulgados no meio do ano que vem, mas as primeiras estimativas do governo indicam que, entre 2005 e 2010, o Brasil reduziu as suas emissões de carbono em cerca de 30%. A principal razão dessa queda é a consistente redução nos índices de desmatamento que vem acontecendo desde 2004, quando foram derrubados mais de 27 mil km² de floresta Amazônica.

Na terça-feira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou o último número do desmatamento na região. Entre agosto de 2011 e julho de 2012 foram destruídos 4.656 km² de floresta. O volume mais baixo da série histórica, que começou a ser medida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 1988. Este dado, no entanto, não fará parte do Inventário Nacional de Emissões que considera apenas o que foi emitido em 2010 por cinco setores: uso da terra e florestas, energia, agricultura e pecuária, tratamento de resíduos e indústria.

Apesar de ser um indicador vital nestes tempos de mudanças climáticas, até hoje o Brasil produziu apenas dois inventários de emissões. O primeiro foi divulgado em 1995 e mostrava o que foi emitido pelo país em 1990. O segundo foi divulgado em 2010, com os dados de 2005. Os países desenvolvidos, que estão no Anexo 1 do Protocolo de Quioto, divulgam seus inventários de emissões todos os anos. O Brasil não é desenvolvido e não tem essa obrigação. Mas deveria. Os cálculos não são simples, os dados vêm de fontes muito variadas e precisam ser checados. Mas essas dificuldades são as mesmas em todo o mundo.

Em 1990, o país emitiu 1,4 bilhão de toneladas de CO² equivalente. A palavra equivalente significa que todos os outros gases de efeito estufa estão incluídos na conta e foram convertidos para um número equivalente de CO². Em 2005, as emissões brasileiras subiram cerca de 60%, chegando a 2,192 bilhões de toneladas de CO² equivalente. Este é o único número oficial que temos. Ele coloca o Brasil na lista dos dez maiores emissores de carbono do planeta.

Em todo o mundo, o principal responsável pelo aquecimento global é o setor de energia e os seus combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás. No Brasil é diferente. Ou, pelo menos, era. Dos dois bilhões de toneladas de carbono emitidos em 2005, 61% vieram do desmatamento das florestas. Dezenove por cento foram gerados pela agropecuária, o que inclui todos os gases produzidos pelos nossos rebanhos. O setor de energia aparece apenas em terceiro lugar, com 15%. Principalmente por conta dos combustíveis utilizados nos carros e caminhões, já que a nossa matriz de energia elétrica é limpa. Todo o setor industrial e a área de tratamento de resíduos e saneamento completam a lista, com 3% e 2%, respectivamente.

Os novos números, que serão divulgados em 2013, mudam essa composição. É certo que o desmatamento perderá participação. Em 2005, segundo o INPE, foram desmatados 19 mil km² de floresta. Em 2010, o índice caiu para sete mil km². Com isso, as emissões do setor devem variar entre 300 e 500 milhões de toneladas de carbono. Assim, o desmatamento passaria a ser a terceira fonte de emissões do país. Sendo superado pela agropecuária e pela energia, que tendem a crescer.

A notícia é boa e merece ser comemorada. Aliás, ontem, o embaixador André Corrêa do Lago, chefe da delegação brasileira que participa da COP-18, a conferência climática que está acontecendo em Doha, no Qatar, foi aplaudido de pé quando anunciou a redução de 27% na taxa de desmatamento.

Em 2009, na COP-15, em Copenhague, o então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, convenceu o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff a apresentarem metas voluntárias de redução das emissões. O Brasil teria até 2020 para reduzir alguma coisa entre 36,1% e 38,9%. A base não seriam os valores de 1990 ou de 2005, mas uma projeção do que se estaria emitindo em 2020. Ou seja, além dos dividendos políticos que trazia, era uma meta relativamente fácil de ser alcançada.

O problema agora são os próximos passos. Assim como acontece quando se faz uma dieta, os primeiros quilos são sempre os mais fáceis de perder. A partir de 2020 entra em vigor a chamada Plataforma de Durban. Um acordo que ainda precisa ser detalhado até 2015, mas que estabelecerá metas de redução de emissões para todos os países do mundo. Não só para os ricos e desenvolvidos, mas para todos.

O Brasil já se comprometeu a participar e diz que defenderá metas agressivas. Só que não teremos mais tanta gordura para queimar. Vamos precisar fazer um dever de casa mais difícil. Resolver questões como a falta de saneamento básico, a ineficiência da nossa pecuária e o pouco compromisso de grande parte das empresas com a redução das emissões de gases de efeito estufa. Agora é que o jogo vai realmente começar.

Coluna publicada no Globo de hoje por Agostinho Vieira.
Fonte: http://urele.com/Z4mR

Sobre Neutralize Carbono

Empresa especializada em projetos de gestão das emissões de Gases de Efeito Estufa.
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